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Seminário de Comunicação: pessoas e habilidades, cultura da instituição e boas estratégias

Friday, October 18, 2019 | Padres Rafael Uliano e Pedro Damázio

Comunicadores de todo país se reuniram no Centro de Estudos do Sumaré, na capital fluminense, para participar da sexta edição do Seminário de Comunicação promovido pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. "O desafio do século XXI: Pessoas e habilidades, cultura da instituição e boas estratégias” foi o tema da sexta edição do Seminário de Comunicação, realizado de 15 a 18 de outubro.

Promovido pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, o evento reuniu representantes de 70 dioceses, institutos de vida consagrada e congregações religiosas de várias partes do país, entre sacerdotes, consagrados e profissionais da área de comunicação. Da diocese se Tubarão estiveram presentes os padres Pedro José Damázio e Rafael Uliano, que integraram a equipe de seis representantes do Regional Sul 4, da CNBB, que compreende o Estado de Santa Catarina.

Na cerimônia de abertura, os participantes foram acolhidos pelo arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, o vigário episcopal para a Comunicação Social e Cultura, cônego Marcos William Bernardo e o coordenador do evento, padre Arnaldo Rodrigues.

“A cada ano tem crescido o número de participantes, com representatividade de todas as regiões do Brasil, nas mais diversas realidades dos departamentos de comunicação da Igreja. É isso que deixa o seminário mais rico porque temos a contribuição das pessoas com suas experiências, partilhas e testemunhos. De acordo com o tema, também convidamos conferencistas nacionais e internacionais, formados no mundo acadêmico, mas também com experiência na área da comunicação”, disse padre Arnaldo.

 

Comunicação e comunhão

“Uma boa comunicação se faz com pessoas bem informadas, capacitadas. Mais que isso, a comunicação precisa gerar comunhão. Há muitos interesses de manipulação, por isso, mais que um bom profissional, faz-se necessário o testemunho de vida, a coerência cristã. O grande segredo de uma boa comunicação é quem está nas redações, à frente das postagens, atrás das câmeras. Foi a proposta do seminário: recordar as habilidades humanas como principal meio de comunicar a Boa Nova de Cristo”, disse o arcebispo.

Para ele, o seminário, em cada edição, tem a preocupação de ajudar as dioceses do Brasil na área da comunicação. É o que tem acontecido de modo eficaz, e a cada ano vem aumentado o número de participantes. Num mundo de exigências, de dificuldades em prevalecer a verdade, destacou a importância de se aprofundarem temas com especialistas, na busca de melhorar a comunicação.

“As fake news estão em moda, sofisticadas, mas sempre existiram. Há muitas dificuldades em encontrar caminhos para distinguir o que é uma notícia falsa da verdadeira. Por trás, sempre há interesses econômicos, políticos, ideológicos. A partilha de conhecimento de quem entende do assunto é necessário. Quando as pessoas são bem formadas, têm boas intenções, fica mais fácil. O importante é que a verdade triunfe no caos que muitos querem implantar, por seus próprios interesses”, acrescentou o arcebispo.

 

Pessoas e habilidades

A professora e publicitária Verônica Machado que ministrou a conferência “Gestão no Século XXI: Pessoas e habilidades em primeiro lugar”, explicou que, quando se fala em gestão de pessoas, o verbo e o discurso são fundamentais para desenvolver a habilidade

“A habilidade deve ser adquirida através de muito esforço e da busca de conhecimento e de competências. No mundo contemporâneo, todo discurso é questionado e o hipertexto passa a ditar a comunicação. É preciso atenção com as palavras e com os discursos, eles são fundamentais. Sempre devem ter um propósito, um significado. E significado não se inventa, se constrói com ousadia para mudar tudo o que parecer confortável, com o olhar para o todo. Com vontade de aprender e de passar adiante, com clareza nas relações, com liberdade e responsabilidade”, disse Verônica.

 

Educação midiática

A conferência “Jornalismo de investigação e fake news”, foi ministrada pela jornalista Bárbara Libório, atualmente editora assistente do site da “Época”, revista semanal do Grupo Globo.
“Fake news não é um fenômeno novo. Sempre houve notícia falsa, boataria. O que mudou foi a maneira de como ela se comunica. Para combater isso, é preciso um passo a passo. Primeiramente, é necessário monitorar, conhecer o conteúdo da notícia, para depois ver como combatê-la. A saída, certamente, é a educação midiática. Não dá para falar de notícias falsas sem falar de educação. O básico cada um pode fazer: na dúvida, não compartilhe. Só o fato de não compartilhar, já está ajudando para que o boato não seja disseminado”.

 

Comunicação institucional

O professor de comunicação da Universidade Santa Croce, em Roma, Marc Carroggio, licenciado em ciências da comunicação pela Universidade de Navarra (Espanha), ministrou duas conferências, sobre comunicação institucional na cultura digital e comunicação e vulnerabilidade. “No atual cenário mundial, como vivemos e nos comunicamos diante das novas exigências, novas competências e também novas prioridades?” Esse questionamento pautou sua conferência, refletindo também sobre a importância de pensar em ações comunicativas como reflexo dos valores e referências. Ele chamou a atenção para o alcance e as consequências de toda comunicação, que pode construir pontes ou destruir reputações pessoais e de grandes instituições. “O conteúdo precisa ser bom e comprometido com a verdade, para jogar a nosso favor e ratificar nosso trabalho. Precisamos ter estratégia, cuidado e mais foco nas pessoas. Não comunicamos para plataformas, comunicamos para o outro”, disse Marc Carroggio.

 

Agente transformador

O ativista social e repórter do site ‘faveladarocinha.com’, Edu Carvalho, retratou assuntos do dia a dia em sua escrita, do local onde reside: a favela da Rocinha, situada na Zona Sul do Rio. “Por meio do trabalho, procuro transformar e impactar a vida das pessoas. Não é um trabalho fácil, mas são necessárias ações para agregar cada vez mais. Acredito na micropolítica voltada para o centro, para o viver em comunidade, em comunhão, partilhando, na busca de bens para o coletivo. Cada um de nós pode ser agente transformador através da sua ação diária, na participação ativa na sociedade”, disse.

 

Construção da história

Durante o seminário, houve ainda conferências ministradas pela irmã Helena Corazza, por Marcius Viana, Leonel Azevedo Aguiar, Cida Malka e Suene Siqueira. No último dia, dois representantes da Arquidiocese do Rio, o assessor de imprensa Adionel Seixas e o fotógrafo Gustavo de Oliveira, apresentaram o dia a dia de cada um: “A construção de uma história se faz com pessoas”. Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho fotográfico de Gustavo de Oliveira, com imagens dos três últimos arcebispos.

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